Paulo Sauer
Foto: Paulo Sauer

O campeão mundial Paulinho Japonês, hoje comentarista, foi o convidado do terceiro episódio do programa Toca e Sai, do canal NSC Esporte, ao lado do comentarista e ex-atleta Chico Lins e do jornalista Marcos Cassetari. A entrevista foi publicada pelo NSC Total. A conversa passou pela carreira, pelos bastidores da Liga Nacional dos anos 1990 e pelas mudanças do futsal atual.

“Eu mudaria a regra do goleiro-linha”

A crítica mais direta foi ao uso do goleiro-linha pelas equipes de hoje, que, para ele, engessa a construção ofensiva.

“Eu mudaria a regra do goleiro-linha. Embora a regra permita, existem algumas equipes que ficam muito presas a ela. Pela geração que nós tivemos, que não dependia tanto do goleiro, que tinha mais qualidade de saída de bola e jogadas ensaiadas, eu fui ensinado de outra forma. Talvez por isso eu não goste que o jogo fique pendurado no goleiro. O pessoal se esquece de que a primeira função do goleiro é defender debaixo da trave”, disse.

Salários e rendimento

Paulinho também comentou a valorização financeira do futsal, que atribui à entrada de empresários no esporte e à pressão das moedas estrangeiras sobre os clubes brasileiros, que passaram a pagar mais para não perder atletas para o exterior. Na avaliação dele, nem sempre o rendimento acompanha.

“Hoje em dia, pagam salários de 15 a 20 mil reais para jogadores que, na minha concepção, pelo que eu vejo jogar, não estão nesse nível de salário, não entregam o esperado”, afirmou.

O Mineirinho lotado em 1997

Uma das lembranças mais fortes da entrevista é a final da Liga Nacional de 1997, pelo Atlético-MG contra o Banespa.

“A gente foi treinar num sábado de tarde lá antes da final. Eu olhei aquilo lá e falei: ‘Ih, esquece, isso aqui não vai encher nunca’. No domingo, quando fomos trocar de camisa para o jogo, pareceu que brotou torcedor do Atlético para tudo quanto é canto. Lotou o Mineirinho e foi uma sensação espetacular”, relembrou.

Torcedor do Corinthians, ele também falou sobre jogar no Parque São Jorge: “Jogar com aquela torcida e com a acústica que tem lá é uma coisa de arrepiar mesmo, são um bando de loucos”.

O quinteto dos sonhos

Desafiado a montar o melhor quinteto com quem dividiu quadra, Paulinho escalou Franklin no gol, Márcio Brancher como fixo, Vander Iacovino na ala esquerda, Manoel Tobias na ala direita e Lenísio como pivô. Sobre Brancher, com quem dividiu vestiário, resumiu: “Ele fazia do vestiário um ambiente bom. Não era o jogador mais habilidoso, mas era muito objetivo e jogava demais”.